quinta-feira, 8 de outubro de 2015

CINEMA: Filmes extremos


Vamos falar sobre filmes extremos.

Contém spoilers.

Filmes extremos



Holocausto Canibal (Canibal Holocaust) 1980 Dirigido por Ruggero Deodato






Professor da Universidade de Nova York sai em expedição à Amazônia em busca de quatro jovens documentaristas que desapareceram durante uma filmagem. Lá chegando, ele descobre que os cineastas foram mortos, mas consegue recuperar os rolos de filme gravados por eles.
De volta aos Estados Unidos, estas filmagens revelam os horrores que os documentaristas passaram nas mãos de canibais.





Holocausto Canibal é muito citado quando se trata de filme polêmico devido a tudo que aconteceu em seu lançamento e até hoje ele ser um filme que choca de forma geral.
Foi filmado na Amazônia.
Depois de estrear na Itália, o filme foi apreendido por um magistrado local, e Ruggero Deodato foi preso por acusações de obscenidade. Mais tarde ele foi acusado de ter feito um filme snuff, devido aos rumores que afirmavam que certos atores foram realmente mortos. Apesar de Deodato ter sido posteriormente inocentado dessas acusações, o filme foi proibido na Itália, Reino Unido, Austrália e em vários outros países devido à sua representação gráfica de gore, violência sexual e a inclusão de seis mortes de animais.
Muitos países já revogaram a proibição, mas o filme ainda é barrado em várias nações.
No Brasil ele é classificado para maiores de 18 anos.

Já vou avisando, se você está curioso mas não tem estômago: As cenas com os animais são mesmo reais, o que gerou revolta e uma divergência muito forte com o público.
Além disso, há muitas outras cenas hard e realistas no longa apesar de encenadas.
Holocausto Canibal facilmente figura em listas de filmes desconfortáveis, e não aconselháveis de assistir e por isso desperta tanto interesse.
Em um primeiro momento, é muito incômoda a visão sobre os índios como selvagens, o que aos poucos vai sendo desconstruído para mostrar que os verdadeiros selvagens são aqueles cinegrafistas sensacionalistas que colocam os indígenas e a si próprios nas piores situações possíveis, pensando no choque que o documentário causaria e no sucesso.

Enfim uma crítica que deixa uma reflexão profunda até o derradeiro momento do filme:
Quem são os selvagens na realidade?
Os índios canibais que agem em defesa própria, ou os homens que invadem e destroem seu habitat natural e praticam friamente atos de crueldade contra eles a troco de nada?

Canibal Holocaust foi feito naturalmente para chocar, mas não é um filme vazio que só trás o intuito de polemizar, um tema forte com conteúdo profundo e que deixa uma lição real.






Scrapbook 2000 Dirigido por Eric Stanze






Uma jovem mulher é sequestrada por um psicopata chamado Leonard, que obriga suas vitimas a escreverem em um diário, relatando seus dias de sofrimento e tortura.






Scrapbook. O que dizer?
Já começa muito tenso, mostrando todos os elementos de um horror punk.
É o tipo de filme que não tem como esquecer, mesmo tendo visto só uma vez; violento, impressionante, angustiante; se você é muito sensível Scrapbook não é pra você.
Apesar de não tão conhecido é um filme que se destaca.
O assassino apresentado é um ser frio, perverso, que tem delírios doentios e traumas profundos de infância, prende uma jovem indefesa e ela passa por um calvário literalmente em seu cativeiro.
As atuações são excelentes, o segmento de filmagem peculiar, e sem dúvida o diretor Eric Stanze promete; nesse cenário b tem tudo para crescer cada vez mais.
Emily Haack numa atuação impecável, e Tommy Biondo arrepiante como um cruel algoz.
Talento indiscutível, o que dá mais mérito a produção.
Tommy, responsável pelo roteiro da trama, sofreu de uma lesão cerebral infligida por um acidente em uma filmagem em Minnesota, e faleceu no mesmo ano, em 1999 após filma-lo.
Era também produtor e diretor.
Scrapbook foi seu último trabalho. Ele tinha apenas 26 anos.






As cenas de agressão, tortura e estupro são verdadeiramente selvagens e demasiado reais.
Nunca se viu nada tão cru, destaque para uma cena em que o assassino violenta a jovem usando uma garrafa.
É um filme underground que ganhou força, mas ainda desconhecido do grande público.
Se você gosta de um bom filme extremo e realista não pode perder Scrapbook.
Uma película difícil de se ver e digerir, porém esse é um dos méritos desse filme.







Mártires (Martyrs) 2008 Dirigido por Pascal Laugier







França, começo dos anos 70.
Lucie uma garota de 10 anos, esteve desaparecida por um ano quando é finalmente encontrada numa estrada, louca e desorientada, sem conseguir contar o que aconteceu.
Seu corpo apesar de maltratado não tem indícios de violência sexual, então é levada a um hospital onde se afeiçoa a outra garota chamada Anna, que passa a cuidar dela e estreitar os laços de amizade para que supere a experiência traumática que viveu.
15 anos depois, Lucie está completamente fora de controle, em busca dos responsáveis por todo aquele sofrimento, envolvendo Anna em acontecimentos com consequências imprevisíveis.
Após alguns acontecimentos Anna é pega pela gangue que pegou sua amiga Lucie no passado, e que sequestravam e torturavam brutalmente as pessoas.
“A senhora” – como é chamada- explica o motivo de fazer aquilo tudo.
Vou resumir: Descobrir o que existe depois da vida (ou durante a morte).






Martyrs é um típico filme que tem muito gore, cenas aterradoras e bem feitas, com atuações precisas, o que já atrai muitos expectadores, porém se você espera um conteúdo, ou uma moral, ele fica muito aquém disso.
Trabalha na linha do óbvio:  a maldade do ser humano não tem solução, e o homem pode ser frio, cruel e sem limites para ter o que quer, isso e nada mais.
Algumas questões sempre permanecerão sem respostas.
Nada genial. O roteiro se perde, passa apenas uma única ideia, e se vê as voltas em torno disso parando em lugar nenhum, com violência como pano de fundo.
Brutal, e bárbaro em violência; aqui vai o aviso: não assista se não tiver coragem; além de mau estar e angústia, não passa de um entretenimento feito para chocar.
Um filme chocante e só. E esse é o motivo pelo qual ele entrou nessa lista.
Se você busca algo mais do que indigestão e abalo com um filme Martys não é pra você.
Ele possui uma legião de fãs imensa, contudo não deixa margem nenhuma a reflexão, pelo contrario, apenas violência gratuita.
Possui um remake americano.
No mais, se a curiosidade for maior veja por si mesmo e boa sorte.







Saló- 120 dias de Sodoma (Saló) Dirigido por Pier Paolo Pasolini. 1975






Baseado livremente em histórias de Marquês de Sade ("Círculo de Manias", "Círculo da Merda" e "Círculo do Sangue"), passa-se na Itália controlada pelos nazistas, onde quatro libertários fascistas sequestram 16 jovens e os aprisionam em uma mansão com guardas. A partir daí, eles passam a ser usados como fonte de prazer, masoquismo e morte.






Quando o filme foi lançado na Alemanha Ocidental em fevereiro de 1976, ele foi confiscado pelo estado para que fosse banido do país.
A corte do distrito de Stuttgart classificou-o como pornográfico e pregador da violência.
Entretanto, tal ação não foi efetiva, pois poucos dias depois o filme foi permitido para toda a Alemanha Ocidental.

Esse filme é sádico, repulsivo, escatológico e muitas outras coisas, contando com a direção competente de Pier Paolo Pasolini, as cenas são conduzidas com realismo e sangue frio, mas apesar de tudo isso é um filme de conteúdo que não fica só na tortura, trás com ele todo o drama e horror de uma era.
De perversão sexual a torturas escatológicas, chegando ao absurdo, você fica literalmente desconfortável a cada cena, porém não é somente um filme pra passar despercebido e sem dúvida nenhuma é um bom filme.
Mesmo tendo sido lançado há 40 anos Saló continua como um trabalho extremamente perturbador, e apesar de inicialmente parecer um mero festival de bizarrices, é uma profunda crítica ao fascismo, ao abuso de poder e ao autoritarismo religioso.
Atreva-se a assistir e comprove.






Por último um dos filmes mais polêmicos da atualidade:




A Serbian Film- Terror sem limites Dirigido por Srdjan Spasojevic. 2010






Dirigido, produzido e escrito pelo estreante sérvio Srdjan Spasojevic, "A Serbian Film" conta a história de Milos, um ex-ator pornô que está longe do negócio e vive com sua esposa e filho.
A situação não é tão fácil com a crise econômica e, portanto, aceita a oferta de um antigo colega da indústria e uma estrela de cinema XXX.
Lá vai descobrir que as intenções do diretor é de ir além do simples ato erótico.
A partir dessa premissa, iniciam-se as gravações do misterioso filme de Vukmir, onde tudo parece uma grande conspiração, levando Milos a executar ações drogado, sem conhecê-las previamente.






Filme produzido na Sérvia, um país europeu que vivenciou uma guerra civil repleta de cruéis atrocidades nos anos 90 do século passado.
Teve grande repercussão no Brasil devido à censura que recebeu, sendo proibida sua exibição por algum tempo.

Pode-se dizer que tudo;  ou quase tudo de mais horrível que existe se vê nesse filme.
De pedofilia a incesto, entre outras obscenidades e crimes repugnantes.
A Serbian Film é intenso e mostra isso em varias sequências, que conseguem deixar grande parte dos espectadores horrorizado, censura-lo não faria sentido, levando em conta que as imagens são fictícias e gravadas com bonecos e robôs, especialmente as cenas com crianças.
Apesar dele ter sido proibido em diversos países em seu lançamento A Serbian Film choca por ter um material tão realista, pesado e de uma situação que existe na nossa realidade: crimes hediondos e pessoas que pagam por eles, a deep web é um exemplo entre muitas outras coisas.
Além de ser impactante, não dá pra se comparar a nenhum outro, embora pesado é muito válido, e funciona como uma crítica, como forma de protesto à dura realidade.
A ideia central passa a sensação que o objetivo não é fazer apologia à violência extrema e sim ser um filme corajoso ao mostrar sem pudores a crueldade doentia da raça humana.
Impossível não refletir sobre diversos fatores ao terminar de assisti-lo.

O diretor acertou: Bem construído, intenso, excruciante, e merece ser conferido, respire fundo, tome coragem -se puder- e vamos lá.
Um filme para poucos.






BÔNUS: Aftermath 1994 Dirigido por Nacho Cerdà






Um curta que exibe em um necrotério práticas proibidas.
Este controverso exemplar da filmografia do espanhol Nacho Cerdà mostra atividades secretas de um funcionário de necrotério.
Venceu o prêmio de melhor curta-metragem no Fant-Asia Film Festival, em 1997.






Doentio e perturbador - são as palavras certas que melhor definem essa obra surrealista.
Na época o diretor se envolveu em uma polêmica porque acharam que ele usou corpos reais nas filmagens.
Apenas especulação, mas tamanho o realismo da obra fica claro do que se trata.


Explora a necrofilia. É preciso dizer mais?
O curta é insano e repulsivo entre outros adjetivos grotescos.
Mórbido. Chocante
Mas sem dúvida o fator que mais choca é sabermos que esse tipo de coisa existe; e ser o tema central de um curta mostra grande ousadia do diretor.
Nada mais é preciso acrescentar.
Veja e comprove, ou morra com a dúvida.






Esses são alguns dos exemplos de filmes extremos que marcaram por sua polêmica, espero que tenha servido como boa referência a quem gosta desse tipo de filme e a quem não gosta também. 


Valeu e até a próxima!






2 comentários:

  1. ótima lista,esses sim perturbam até o que tiver o sangue frio como o gelo,os mais hard são Scrapbook e o A serbian.
    Ua coisa que é preciso se relevar nesses filmes é a ótima maquiagem,no Aftermather parece realmente um cadáver ali na mesa de autópsia .
    o cannibal também nem se fala,é famosa a lenda de que os atores até tivessem morrido nas filmagens

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  2. Ótimos filmes ótima lista de filmes , todos fortes martyrs achei com muitas idéias mas pouco uso de contexto pouco diálogo e o fim creio q quem assistiu assim como eu vai ter a opinião de que esperavamos mais , o holocausto é ótimo ! Mostra bem que cada um deve de ficar em seu proprio lugar , tiverem o final merecido , cada um traça seu caminho com seus atos , nao espere algo bom na frente se agora faz o mal e por mal .
    Aftermath preciso aterminar de ver kkk doentio e frio , depois coloco mais conclusões 😁

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